Transporte urbano é ruim ou péssimo para 63% dos brasileiros.

Transporte urbano é ruim ou péssimo para 63% dos brasileiros.

Estudo da FGV mostra que 63,2% da população avaliam o transporte urbano como ruim ou péssimo. Planejamento e qualidade do serviço precisam melhorar, dizem especialistas

 

A mobilidade é um dos principais desafios enfrentados por cidades que pretendem se tornar mais inteligentes — e sustentáveis. No Índice da Qualidade da Mobilidade Urbana (IQMU), realizado pela FGV Transportes e divulgado em outubro, a soma de avaliações ruim e péssima por parte dos entrevistados chegou a 63,2%. No geral, em uma escala de zero a dez, o índice alcançou 4,2.

Estudo recente conduzido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo Serviço de Proteção ao Crédito em parceria com o Sebrae, a Pesquisa Mobilidade Urbana 2022, apontou que o brasileiro perde 21 dias por ano no trânsito. O tempo médio gasto nos engarrafamentos é cerca de 1 hora e 4 minutos/dia.

Na equação para obter um resultado satisfatório para a população entram fatores como planejamento urbano e melhora da qualidade do transporte público para que haja mais estímulo ao seu uso e consequente redução da frota de automóveis em circulação.

— Uma coisa que o plano diretor poderia fazer é começar a sinalizar vocações da cidade, colocar o cidadão no centro e começar a trabalhar o desenho, o traçado urbano, para privilegiar o transporte coletivo. Ou apontar para onde a malha viária precisa caminhar mais em determinadas regiões — diz Luís Felipe Bismarchi, professor da Faculdade Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Mudança de cultura

Neste cálculo, a companhia considera, por exemplo, o que deixou de ser perdido com faltas ou atrasos no trabalho, perdas com acidentes e tratamentos, com combustível e manutenção das vias da cidade.

No estudo da FGV Transportes , foram ouvidas on-line 893 pessoas de todo o país. Para a instituição, o IQMU é a representação da percepção da coletividade sobre a mobilidade urbana, que engloba automóvel, transporte público (ônibus, VLT, barca, trem e metrô), a pé, bicicleta, motocicleta e táxi/fretados.

Mesmo em São Paulo, onde há metrô e trem, na visão de Quintella, o investimento ainda não é suficiente, o que se repete em todo o país. E ele chama a atenção para o fato de que entre mais de três mil municípios acima de 20 mil habitantes, muitos não têm uma política pública de transporte, descumprindo a Lei de Mobilidade Urbana, que obriga cidades acima dessa população a ter um plano de mobilidade.

Nem toda cidade precisa de metrô e trem, claro, mas implantações de BRTs, por exemplo, podem ser soluções mais fáceis de serem adotadas em cidades de média demanda, de acordo com o professor. O BRT é um sistema de transporte público baseado em ônibus, que adota serviços e infraestrutura para agilizar o fluxo de passageiros, como o corredor exclusivo de rodagem, a fim de evitar congestionamentos. É usado em cidades como Rio e Curitiba.

Além da falta de investimento, Bismarchi ressalta a necessidade de uma mudança cultural. Para ele, prefeituras e atores da sociedade civil têm um papel importante nisso, de incentivarem essa transformação, que pode se tornar mais fácil se houver um serviço de qualidade.

— Um ponto importante, que não dá para mudar por decreto, é o olhar de que transporte publico não é coisa de pobre. Esse é um grande problema que temos.

Veículos elétricos crescem até no ‘delivery’

O uso de veículos elétricos, que contribuem para reduzir a pegada de carbono e a poluição sonora, avança. De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de veículos elétricos e híbridos registraram recorde em setembro. Nos primeiros nove meses do ano, foram licenciados 34.232 veículos elétricos e híbridos, aumento de 59% na comparação com todo 2021.

Por Claudio Marques; Especial Para O Prática ESG — São Paulo

Date

31 Março 2025

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Instituto de Pesquisa de Transportes (IPTrans)

A qualidade dos transportes afeta a capacidade de
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